«Num colchão viscoelástico, o núcleo que segura a coluna importa mais do que a espuma que a envolve. Se acorda com calor, aposte em molas ensacadas por baixo antes de pagar por gel ou grafeno.»
O que é um colchão viscoelástico
Um colchão viscoelástico tem pelo menos uma camada de espuma de memória, um poliuretano que cede ao peso e ao calor do corpo, toma a sua forma e só volta à posição inicial devagar. Segundo a DECO PROteste, o material nasceu na NASA nos anos 60, chegou aos colchões nos anos 90 pela mão da Tempur e começou por ser usado por pessoas que passavam muitas horas acamadas. A mesma análise avisa que, à exceção da Tempur, a maioria destes colchões não tem o núcleo em viscoelástica, apenas uma camada que pode ficar-se por um centímetro.
Vantagens e desvantagens
Quanta viscoelástica tem cada modelo
É a pergunta a que as lojas menos respondem. Nas páginas dos colchões desta seleção, só a JYSK indica a espessura e a densidade da camada viscoelástica, e a IKEA a densidade; Emma, Pikolin, Colmol e Tempur descrevem as camadas pelo nome comercial, sem números. A densidade, em kg/m³, diz quão devagar a espuma afunda e quanto tempo mantém a forma, por isso vale a pena pedi-la antes de comprar. Os preços da tabela são em 160x200; se a sua cama é de 140x190, uma das medidas de casal mais comuns em Portugal, o comparativo de colchões 140x190 mostra o que custam nessa medida.
Calor, gel, grafeno e aloe vera
O calor é uma das queixas mais comuns, e a construção do colchão pesa mais do que o nome da espuma. A DECO PROteste mede o comportamento térmico numa câmara climática, com uma placa de cobre aquecida a 37 °C pousada no colchão. O instituto publicou resultados de três destes modelos; no caso do Pro+, testou o Emma Original Pro, que segundo a Emma só difere na capa.
O único classificado como fresco é o híbrido com molas ensacadas. Num artigo público de abril de 2026, o instituto destacou por juntar boa qualidade global e frescura o Emma Original Elite, com 73%, que também assenta uma camada viscoelástica ligeira sobre molas ensacadas. Não entra nesta lista porque custa mais do que o Pro+ para o mesmo efeito de memória discreto; a versão Elite+ está no comparativo dos colchões Emma. Gel, grafeno e grafite são partículas que as marcas misturam na espuma para afastar o calor da superfície, e várias anunciam ganhos de frescura, mas não encontrámos ensaios independentes que meçam esse efeito num colchão. O aloe vera é um tratamento do tecido da capa, agradável ao toque, e também não encontrámos estudos que lhe atribuam efeito na temperatura ou no sono.
Híbrido com molas ou colchão só de espuma
Muitos colchões viscoelásticos à venda em Portugal pousam a espuma de memória sobre molas ensacadas. As molas deixam o ar circular por baixo e devolvem algum impulso nas viragens, e é por isso que os híbridos ocupam os primeiros lugares desta seleção. Um colchão só de espuma isola melhor os movimentos de quem dorme ao lado, mas aquece mais, e os modelos sem molas, viscoelásticos ou não, estão no comparativo de colchões de espuma. Quem quiser comparar núcleos de molas em detalhe tem o comparativo de colchões de molas ensacadas.
Firmeza pelo peso e pela posição
Quem pesa mais ou dorme de barriga para baixo deve procurar um núcleo médio-firme a firme, como o do Hovda, ou um híbrido alto e reforçado como o Marisma. Quem dorme de costas com peso médio fica bem num modelo médio a médio-firme, e quem é mais leve e dorme de lado num modelo médio ou médio-macio, onde ombros e ancas afundam o suficiente para a coluna ficar direita. As escalas de firmeza mudam de marca para marca, e uma medição independente, quando existe, diz mais do que o nome que o fabricante dá ao modelo. Para dores nas costas, o comparativo de colchões para a coluna aprofunda estes critérios.