«Para as costas, o colchão certo é o que mantém a anca ao nível dos ombros durante a noite inteira. Na dúvida entre dois modelos, fique com o médio-firme.»
Médio-firme primeiro, firme quando o peso o pede
O estudo mais citado sobre colchões e dor lombar é o ensaio de Kovacs e colegas publicado na The Lancet em 2003. Durante 90 dias, 313 adultos com dor lombar crónica inespecífica dormiram num colchão firme ou num médio-firme, e o grupo do médio-firme teve menos dor na cama e menos incapacidade. Uma revisão de 39 estudos publicada em 2021 no Journal of Orthopaedics and Traumatology chegou à mesma conclusão e associa os colchões médio-firmes a mais conforto, melhor sono e melhor alinhamento da coluna.
Isto não torna o firme proibido. Um corpo mais pesado afunda mais e precisa de mais resistência para que a bacia não desça abaixo da linha dos ombros, e quem dorme de barriga também tende a dar-se melhor num colchão firme. A dificuldade está na etiqueta, porque cada marca usa a sua escala, e por isso a tabela abaixo indica a nossa leitura de todos os modelos na mesma escala. Quem procura sobretudo firmeza encontra mais opções no comparativo de colchões ortopédicos.
Como saber se a firmeza é a certa para si
A DECO PROteste resume o objetivo no seu guia sobre colchões para a coluna, onde escreve que «a melhor superfície para cada pessoa é aquela que permite dormir sem dor e sem rigidez». O mesmo guia propõe um teste que pode fazer na loja ou em casa. Deitado de costas, passe a mão entre a região lombar e o colchão. Se sobra muito espaço, o colchão é firme demais para o seu corpo; se a mão quase não passa, é macio demais e o corpo afunda.
A almofada também conta. O pescoço deve continuar a linha da coluna, sem ficar dobrado nem torcido, e uma almofada alta demais anula parte do trabalho de um bom colchão.
Molas ou espuma para a coluna?
Nenhum tipo de núcleo é melhor para as costas por natureza. As molas ensacadas cedem uma a uma, arejam bem e permitem zonas de firmeza diferentes ao longo do colchão, como as cinco do Emma Original+ ou as sete do IKEA VÅGSTRANDA. A mola contínua e as molas Bonnell dão um apoio uniforme e mais barato, mas passam o movimento de um lado da cama para o outro.
A espuma viscoelástica molda-se ao corpo e reparte a pressão. Num ensaio dinamarquês publicado na revista Spine em 2008, doentes com lombalgia crónica dormiram durante um mês num colchão de água, num de espuma viscoelástica ou num colchão duro. Nos 141 doentes analisados, os dois primeiros melhoraram mais os sintomas e o sono do que o duro, ainda que com diferenças pequenas. Os híbridos, como os da Emma, juntam espuma de conforto a um núcleo de molas, e os modelos sem molas estão no comparativo de colchões de espuma.
Posição de dormir, peso e casal
- De lado. Médio ou médio-firme, com uma camada de conforto que deixe o ombro e a anca afundar um pouco.
- De costas. Médio-firme a firme, com a bacia bem segura.
- De barriga. Firme, para que a anca não afunde e não arqueie a zona lombar.
- Peso elevado. Firme ou com reforço lombar, como o Pikolin Morfeo Dream ou o Molaflex Gravity Pocket.
- Casal com pesos diferentes. Um colchão com duas firmezas, como o Pikolin DualPIK Dual, ou molas ensacadas, que isolam melhor cada lado.
Dê tempo ao colchão novo
Um colchão novo muda a forma como a coluna repousa, e as primeiras noites raramente dizem tudo. Por isso conta a possibilidade de experimentar em casa, que nesta seleção só a Emma, com 100 noites, e a IKEA, com 365 dias para experimentar e trocar por outro modelo, oferecem. Nas outras marcas, uma compra online fica pelo prazo legal de livre resolução, em regra com o colchão por estrear. Se a dor persistir, piorar ou descer para as pernas, fale com o seu médico ou fisioterapeuta antes de trocar de colchão outra vez. Para comparar modelos fora deste tema, veja o ranking do melhor colchão e o comparativo de colchões de casal.